terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Os verdadeiros adoradores

Qual a melhor maneira de adorar a Deus?

E não clamaram a mim com seu coração, mas davam uivos nas suas camas” (Os 7.14).

   O texto em apreço é uma realidade que ainda ocorre no seio da igreja de Cristo, mesmo entre os crentes onde se encontra a verdadeira adoração a Deus. O caso é que, nas reuniões de nossas igrejas, muitas vezes não há uma culto genuíno. O pecado é o grande causador da falta de devoção a Deus. Ele pode ser comparado a um muro bem alto que impede o acesso ao Pai. Israel, por exemplo, sabia muito bem disso, mas sua soberba permitiu afastar-se do Deus vivo. Seus pecados a Deus só traziam males e muitas dificuldades. Costumeiramente, a ira de Deus se acendia sobre eles que castigos devastavam a nação. O Senhor desejava de Israel uma verdadeira adoração envolvendo o coração e não gritos vazios. A nação de Israel foi convidada a invocar a Jeová e não aos ídolos das nações com que faziam muitas alianças, e por isso, deviam dar a Ele adoração incondicional e única.
A expressão “coração” neste versículo representa um dos principais órgãos humano. Figurativamente, é usado para referir-se às fontes ocultas da vida pessoal. ”A Bíblia descreve que a depravação humana está no‘coração’, porque o pecado é um princípio que tem seu lugar no centro da vida interior humana, e então ‘contamina’ todo o circuito de sua ação (Mt 15.19,20). Por outro lado, a Escritura considera o coração como a esfera da influência divina (Rm 2.15; At 15.9). O coração, visto que se acha profundamente no interior, contém ‘o homem escondido’ (1 Pe 3.4), o homem real. Ele representa o verdadeiro caráter, mas também o esconde (J. LaidLaw). No geral, o coração, em seu significado moral no AT, inclui as emoções, a razão e a vontade. É nele que o cristão adora a Deus, pois a adoração não se mede pelo movimento labial ou mesmo corporal (levantar das mãos, palmas, etc.), mas vem do íntimo do coração (Is 29.13). Não só a adoração, mas também a obra de Deus, o arrependimento e a oração têm de ser feito de coração; do contrário, será mesmo em vão e sem proveito algum (Jo 4.34; Rm 10.9,10; Hb 13.15). Imagine uma pessoa tetraplégica (sem os movimentos dos braços e das pernas) e muda, como ela conseguirá adorar a Deus? Simples, com o coração. Entretanto, uma pessoa com todos os membros do corpo deverá adorar a Deus conjuntamente para agradá-lo. O coração para se expressar, enquanto se está invocando a Deus, os membros do homem o manifestam exaltando o Senhor.
Já o termo “uivar” segundo o dicionário bíblico significa, lamentar violentamente. No contexto do versículo, vê-se que o arrependimento de Israel foi apenas simbólico e não o que ocorre em outras passagens, de alguém que experimentou uma desgraça em sua vida (Jl 1,5,8,11,13). Os israelitas, em muitas ocasiões, iam aos bosques construir ídolos de madeira, pedra, prata e invocá-los como se dignos de adoração (Is 42.8,12; 44.9-17; 45.20-22). E quando se voltavam para Deus seus corações estavam realmente afastados do Deus vivo.
Porque o Senhor disse: Pois este povo se aproxima de mim e, com a boca e com os lábios, me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” (Is 29.13).
Em outras situações, as Escrituras também descrevem os hebreus voltando para Deus clamando-o de coração (Dt 4.29; 1 Sm 7.3,4; 2 Cr 12.16; 12.14; 19.3; 30.19; 15.1-4).
Durante a guerra contra os filisteus, Israel estava acampado em Ebenézer. Sucedeu que, após a primeira peleja contra os filisteus, a nação retorna ao acampamento, e surge a idéia de trazer a arca do concerto (representava a presença de Deus) ao arraial, no intuito de vencer em sua segunda tentativa, os filisteus. Neste momento, Israel estava bem longe do Senhor. Com toda a empolgação dos hebreus, ouviu-se uma gritaria tamanha que os filisteus se atemorizaram com medo de que Deus estaria agora do lado deles para guerrearem, “e diziam mais: Ai de nós! Que tal nunca sucedeu antes” (1 Sm 4.1-10). O desfecho terminou com a derrota do povo de Deus, incluindo a morte dos filhos de Eli, pois que haviam desobedecido ao Senhor. O estrago foi tão grande que “caíram de Israel trinta mil homens de pé” (1 Sm 4.10). Depois desses acontecimentos, um homem de Benjamim que havia fugido da batalha, entrou na cidade noticiando a tomada da arca da aliança e a derrota dos israelitas pelos filisteus. Desta vez, os gritos vindos da cidade já não eram de júbilos “entrando, pois, aquele homem a anunciar isso na cidade, toda a cidade gritou” (1 Sm 4.13b). Após tê-lo ouvido, Eli veio a falecer caindo da cadeira e quebrando o pescoço. Com esse texto, tira-se uma lição importante para a vida do cristão: Deus convida seus filhos a adorarem-no, não da boca pra fora, com gritos vazios, pois isso não se constitui a forma de adorar o Senhor.
Neste versículo do livro de Oséias, Deus acusa os israelitas de hipocrisia; o clamor não vinha do coração, mas dos lábios apenas (Comentário Bíblico de Bacon). Após precisarem de alimento, trigo e vinho, voltavam-se para os ídolos e não para Deus “...para o trigo e para o vinho se ajuntam, mas contra mim se rebelam” (v.14b). Pensavam mal a respeito de Deus, esqueciam-se dEle que os ensinava e os fortalecia (v.15), para adorarem os ídolos (v.16). Tornaram-se para o Senhor “como um arco enganador” ou um arco torto, onde se lança a flecha sem uma direção desejada (v.16). A intenção de Deus aqui era de lançá-los ao alvo, a fim de que alcançassem as bênçãos do Altíssimo, porém, escolheram seguir outro caminho, o caminho da desobediência “... caem à espada os seus príncipes por causa da violência da sua língua; este será o seu escárnio na terra do Egito (v.16).
Jesus, nosso Mestre por excelência, nos ensinou a maneira correta de adorarmos o Pai. João destaca as palavras de Jesus a mulher samaritana:
Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (Jo 4.22).
O Filho disse que Deus é espírito, e por isso, devemos adorá-lo em espírito. Alguém consegue enxergar um espírito? Obviamente, não. O cristão adora o Senhor sem o ver, sabendo que Ele está no céu em seu Trono. Somente os verdadeiros adoradores invocam um Deus verdadeiro, porque é isso que Ele procura, reconhecedores da sua glória e da sua majestade (Jo 4.24). Adorar aqui, segundo o dicionário Vine significa “fazer mesura, fazer reverência a”, e nesse caso refere-se ao Senhor Todo Poderoso.
Temos a certeza de que, se invocarmos ao Senhor, Ele nos ouvirá (Jr 33.3). Uma adoração sincera exige um coração sincero e um espírito quebrantado. A alma com sede de Deus o busca em qualquer lugar, momento e circunstância. Os samaritanos pensavam que precisavam de um lugar para adorar a Deus e assim como os judeus, estavam muito enganados.
“Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai” (Jo 4.21).
Jesus mostrou que não existem obstáculos ou impedimentos para se adorar a Deus, como, por exemplo, um local específico. O Senhor“não habita em templos feitos por mão de homem” e “Eis que o céu e o céu dos céus não te podem conter”, quanto menos a parte física da igreja (2 Cr 6.18; At 7.48). O fato é que o véu se rasgou, e hoje, podemos ter acesso ao lugar santíssimo, ou seja, estamos mais próximos de Deus sem precisar de um intercessor como na Antiga Aliança (2 Pe 2.5).
O amor a Deus está também ligado a verdadeira adoração, aliás, ele (amor) sempre a acompanha. Obviamente, se alguém sabe amar a Deus, saberá adorá-lo. Mateus deixa bem claro as palavras de Jesus:
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mt 22.37).
Alguns pensam que, enquanto “gritam” estão agradando a Deus, infelizmente estão muito enganados. Enquanto não possuírem um coração aberto para Deus tudo não passará de gritos vazios. Os “gritos” em nossas reuniões, em si, não constituem a real presença de Deus no meio da igreja.
A adoração de Deus não é definida em nenhuma parte das Escrituras. Mostra que ela não consiste de louvores apenas, ou de barulho. Amplamente ela é considerada como o reconhecimento direto a Deus, da Sua natureza, atributos, caminhos e reivindicações, tanto em louvores e ações de graças, como por ações feitas em tal reconhecimento de coração. Aleluia! Prestemos a Ele uma verdadeira adoração.


Em busca de uma verdadeira adoração,


Aijalon de Sousa Santos

Um comentário:

  1. Jalon! A paz do Senhor!
    Está de parabens! belos textos que trazem grandes ensinamentos!
    abraço

    João Vasconcelos

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